Canela é mundialmente reconhecida pela beleza imponente da icônica Catedral de Pedra, seu maior atrativo arquitetônico e histórico. Mas a cidade esconde uma rica história estética em suas construções, celebrada neste dia 15, Dia do Arquiteto e Urbanista.
As edificações mais antigas que resistem ao tempo, datadas das décadas de 1910 e 1920, trazem influências germânicas, italianas, portuguesas e outras, que se fundiram em um estilo único: o serrano. Ele é marcado por pés direitos altos, paredes em madeira e telhados com grandes angulações.

A gênese do estilo eclético canelense
A Prefeitura Municipal, junto ao historiador Marcelo Veeck, resgata essa história. Canela foi construída a partir de três eixos: a passagem dos tropeiros, a exploração das matas pelas serrarias e a chegada do trem. Segundo Veeck, a arquitetura canelense tem sua gênese nessa época e mantém as referências do rústico e colonial, presentes na madeira e nas pedras.
Veeck aponta que não há um modelo único, devido à vinda de diversas culturas e religiões — alemães, italianos, negros, luso-brasileiros, católicos e protestantes — que influenciaram a cultura local.
“Até a década de 1960, a maioria das edificações era feita em madeira. É só na década de 1970 que começam a aparecer em maior número residências em alvenaria”, confirma o historiador. O estilo serrano é visto nos chalés altos, feitos inicialmente de tabuão e depois de madeira beneficiada, alguns com detalhes em lambrequim e sótão.
Da capela de madeira à Catedral de Pedra
A mudança no padrão construtivo também chegou à antiga Igreja Matriz, de 1926. O aumento populacional impulsionou o projeto de ampliação, e em 1953 foi lançada a pedra fundamental da atual Catedral de Pedra. Ela foi levantada em alvenaria, no estilo neogótico inglês, projetada por Bernardo Sartori. O prédio levou décadas para ser concluído, com o carrilhão de 12 sinos (fabricados na Itália) sendo instalado em 1972, mas soando apenas a partir de 2005.
Até a década de 1940, a maior parte das construções era em madeira, como o Castelinho do Caracol (1914-1915), a Estação Férrea (1920/30) e a parte antiga do Grande Hotel Canela. Com a escassez da madeira e a degradação ambiental causada pela fábrica de celulose e papel instalada em 1939, as serrarias fecharam, afetando o turismo.
A partir de 1970, o turismo se reinventa com a construção de novos hotéis como o Laje de Pedra e o Continental, impulsionando a economia. Na década de 1950, surge o primeiro atrativo temático, o “Mundo a Vapor”, dando início à vocação que hoje confere a Canela o título de Capital Nacional dos Parques Temáticos.
O turismo de eventos, com o Sonho de Natal, Festival Internacional de Bonecos, Páscoa e outros, também fortaleceu a rede hoteleira e gastronômica, mantendo viva a cultura e o desenvolvimento da cidade.









